Portal da Cidade Bady Bassitt

CONSCIENTIZAÇÃO

Após dois ataques, moradora de Bady é exemplo do que alerta a campanha #CãoSemGuiaNão

Relato mostra como cães sem contenção podem provocar ferimentos físicos e traumas emocionais duradouros; debate ganhou repercussão jornalista ser atacado

Publicado em 24/06/2026 às 09:34
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Talita sofreu complicações que a deixaram afastada do trabalho (Foto: Ilustração/Arquivo Pessoal)

O recente ataque sofrido pelo jornalista José Roberto Burnier, da TV Globo, durante um passeio em São Paulo, reacendeu em todo o país o debate sobre a responsabilidade dos tutores e os riscos da circulação de cães sem guia em espaços públicos. O episódio reforçou a campanha nacional #CãoSemGuiaNão, iniciativa que busca conscientizar a população sobre a importância do uso de guia e coleira durante os passeios.

Em Bady Bassitt, a técnica de enfermagem Talita Ariza Camilo, de 39 anos, conhece de perto as consequências desse tipo de situação. Moradora da cidade há mais de 30 anos, ela foi mordida em duas ocasiões diferentes por cães que estavam soltos e afirma que, além das cicatrizes físicas, ainda convive com os traumas emocionais deixados pelos ataques.

O primeiro episódio aconteceu em 2015, quando Talita voltava para casa após buscar a filha na escola. Segundo o relato, uma cachorra que costumava ficar solta na vizinhança saiu de uma residência no bairro Cohab 2, quando o portão foi aberto e a atacou. 

"Ela veio quietinha e me mordeu. Quando ela me mordeu, ela rosnou. Aí me deu desespero, eu senti muita dor, fez um rasgo enorme no meu pé. Naquele momento eu senti muito aliviada porque mordeu em mim, não na minha filha", conta.

A moradora recebeu os primeiros socorros e procurou atendimento médico. O ferimento, porém, evoluiu para um quadro de infecção e necrose. "Fiquei afastada dois meses do meu serviço porque o pé não cicatrizava. Pelo contrário, ele piorava", relata.

Segundo Talita, as consequências não ficaram apenas na cicatriz. "Quando eu saio na rua e vejo um cachorro, eu paraliso. A sequela física fica ali como um lembrete, mas o emocional é aterrorizante porque te trava, te bloqueia e dá sensações horríveis", revela. 

Quase nove anos depois, em 2024, ela enfrentou uma situação semelhante. Desta vez, um dos cães que também haviam saído de uma residência a mordeu no tornozelo. "A moça falou: 'Ah, eles não fazem nada'. Mas, na hora que ela terminou de falar, o cachorro me mordeu", lembra.

Apesar de não precisar se afastar do trabalho dessa vez, ela precisou novamente tomar medicamentos e afirma que a recuperação demorou mais de um mês.

Mesmo após as experiências vividas, Talita diz que nunca deixou de gostar de cães. Ela e a filha, que tinha oito anos quando ocorreu o primeiro ataque, continuam apaixonadas por animais e têm um cachorro em casa. Para ela, justamente por amar os pets, é preciso reconhecer que qualquer animal pode reagir de forma imprevisível em determinadas situações.

"Da mesma forma que a gente tem dias ruins, o cachorro também pode ter. Às vezes ele vai agir por instinto, até mesmo para proteger o seu dono", acrescenta a moradora. 

#CãoSemGuiaNão

A campanha reúne organizações de proteção animal, médicos-veterinários, adestradores e especialistas em comportamento canino para alertar que passear com cães sem contenção adequada coloca em risco não apenas os próprios animais, mas também outras pessoas e pets que compartilham os espaços públicos.

Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, mostram que o Brasil registrou 51 mortes causadas por mordidas ou ataques de cães em 2023. O número representa aumento de 27% em relação a 2022, quando foram contabilizadas 40 mortes.

Para o treinador e especialista em comportamento canino Fernando Lopes, apoiador da campanha, ainda existe a percepção equivocada de que cães considerados dóceis não precisam utilizar guia durante os passeios.

"Muitos acidentes acontecem justamente com animais considerados dóceis pelos próprios tutores. Um susto, um barulho inesperado, a aproximação de outro cão ou de uma criança podem desencadear reações imprevisíveis. Nenhum tutor consegue garantir controle absoluto de um animal solto em ambiente público", afirma.

Segundo Lopes, os riscos vão muito além dos ataques. Entre os casos mais comuns estão atropelamentos, fugas, desaparecimentos, brigas entre cães e acidentes envolvendo ciclistas, motociclistas e pedestres.

"O que parece um gesto de liberdade pode terminar em tragédia. Em poucos segundos, um cão pode atravessar uma avenida movimentada, se envolver em uma briga ou provocar um acidente. A guia é um equipamento de segurança, não uma restrição ao bem-estar do animal", explica.

Além dos riscos à segurança, a prática também pode gerar consequências legais. A legislação brasileira prevê responsabilidade civil dos tutores pelos danos causados por seus animais. Estados e municípios possuem ainda normas específicas que determinam o uso obrigatório de guia, coleira e, em determinadas situações, focinheira para cães de grande porte ou considerados potencialmente perigosos.

Para Talita, a conscientização dos tutores é fundamental. "As pessoas precisam entender que é sua responsabilidade. Você deixar o cachorro livre na rua é permitir que isso aconteça", conclui.

Como parte da mobilização, a campanha convida tutores de todo o Brasil a compartilharem fotos de seus cães passeando de forma segura, utilizando guia e coleira, nas redes sociais com a hashtag #CãoSemGuiaNão.

Fonte: Portal da Cidade Bady Bassitt

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