A maternidade é um desafio diário que exige equilíbrio, força e resiliência. Para Jéssica Christan, mãe de quatro filhos, a jornada também foi marcada por recomeços, luto e a busca por um propósito maior.
A advogada integra a série especial Mães Que Inspiram, que ao longo do mês de maio conta histórias de mães de Bady Bassitt que, além de criarem seus filhos, transformam suas vivências em exemplos de força, superação e inspiração.
Um recomeço em Bady Bassitt
Jéssica nunca planejou deixar sua cidade natal, Três Lagoas (MS), onde se formou em Direito pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Mas a chegada da segunda filha, Helena, mudou os rumos da família.

Helena recebeu o diagnóstico de uma doença no coração (Foto: Arquivo Pessoal)
Ainda na gestação, Helena foi diagnosticada com uma cardiopatia congênita grave, que exigiria tratamento especializado no Hospital da Criança e Maternidade (HCM), em São José do Rio Preto. Para garantir a proximidade com o hospital, Jéssica, o marido Thiago e a filha mais velha, Marina, se mudaram para Bady Bassitt, buscando um recomeço.
“Quando Helena faleceu, ainda bebê, decidimos ficar na cidade e nos reconstruir aqui. Mesmo em meio à dor e às incertezas daquele momento, foi uma escolha acertada. Fomos muito bem recebidos pela comunidade e decidimos estabelecer nossos negócios aqui”, conta.
Hoje, a família cresceu. Jéssica é mãe de Marina, 7 anos; Aurora, 1 ano; e Rafael, de apenas 1 mês. Mas Helena segue presente na memória e no coração.
A maternidade como potência e transformação
Para Jéssica, a maternidade vai além do papel tradicional. É força, inspiração e fonte constante de resiliência.
“A maternidade para mim é uma grande potência humana e criativa. Meus filhos são minha força. Advogo por uma maternidade leve e responsável, que serve como potência para as mulheres, não como algo que as impede de seguir seus sonhos”, explica.
Ela define a experiência da maternidade como um renascimento pessoal. Durante a gestação de Helena, viveu momentos intensos de fé e entrega.
“Ouvir o choro dos meus bebês pela primeira vez foi inesquecível. Mesmo sabendo da fragilidade de Helena, aquele som foi um presente. Sei que viverei muitos outros momentos inesquecíveis com meus filhos, mas guardarei aquele primeiro choro para sempre na memória”, relata.
Superação, acolhimento e propósito no direito
Em meio ao luto pela perda de Helena, Jéssica encontrou na advocacia um caminho para acolher outras pessoas que também enfrentam desafios.
Desde 2019, atua nas áreas cível, previdenciária e trabalhista, com um enfoque especial na defesa de direitos sociais, como saúde, educação, previdência e proteção aos deficientes e crianças.
“Meu atendimento é humanizado, ético e acolhedor. Enxergo as pessoas além dos processos judiciais. A maternidade me ensinou a ouvir e a cuidar. Isso faz diferença no trabalho, porque atuo tal qual uma mãe: com atenção, zelo e vontade de proteger”, explica.
Equilibrando a maternidade com a vida profissional
Com dois bebês pequenos e uma filha em idade escolar, Jéssica vive o desafio de equilibrar a maternidade e a carreira.

Rafael, no colo da mãe, e acompanhado pelas irmãs Aurora e Marina (Foto: Arquivo Pessoal)
“Primeiramente, foi muito difícil conciliar as demandas da advocacia com a perda da Helena. O processo de luto exigiu muito mentalmente e precisei me afastar por um tempo. Agora, o desafio é dividir o tempo entre os filhos e o trabalho”, revela.
Para lidar com a carga mental materna, ela encontrou formas de organizar a rotina, estabelecendo horários e buscando o suporte de outras mães.
“Sempre busco alternativas para não sobrecarregar nenhum dos lados. Escrever sobre isso nas redes sociais tem sido uma terapia e tem ajudado outras mães. Escrever sempre foi minha forma de lidar com os desafios”, compartilha.
Cultivando o amor e a memória de Helena
Neste dia 19 de maio, Helena completaria mais um ano de vida. Jéssica faz questão de manter viva a memória da filha, transformando a dor da perda em uma fonte de amor e acolhimento.
“Aprendi a cultivar a absoluta certeza de que quem amamos não se vai para sempre, mas vive em cada lembrança que recordamos com amor. O amor não morre”, conta.

Helena no colo da mãe (Foto: Arquivo Pessoal)
Mulheres que inspiram
Jéssica encontra inspiração em autoras que ajudam a resgatar a essência da mulher além da maternidade. Uma delas é Clarissa Pinkola Estés, autora de 'Mulheres que Correm com os Lobos'.
“Com o trabalho de cuidado que exercemos diariamente, é fácil nos esquecermos da mulher que somos além da mãe. Autoras como Clarissa nos fazem resgatar esse feminino poderoso", explica.
Um conselho para outras mães
Jéssica acredita que a maternidade não deve ser um impeditivo, mas uma fonte de potência para seguir os sonhos.
“Encontre seu próprio jeito de maternar e a forma de trabalho que mais se alinha aos seus objetivos de vida. Experimente coisas novas e, principalmente, não ligue para a opinião de quem nunca construiu nada”, aconselha.
E, ao ensinar os filhos sobre amor e reconstrução, ela também deixa um legado valioso:
“O maior valor que quero deixar para meus filhos é o amor. Muitas vezes na vida somos chamados a nos reconstruir, e nesses momentos o amor que recebemos dos outros é o que realmente importa. Em outros momentos, é o amor-próprio que dá a energia para a mudança. Portanto, quero ensiná-los a cultivar o amor”.
Dra. Jéssica Christan
Rua Pontes, 1737
Centro - Bady Bassitt/SP
(17) 99235-8952
WhatsApp | Instagram | Site | E-mail