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CONSUMO CONSCIENTE

Verduras e legumes: nem toda contaminação sai na lavagem; saiba o que observar na compra

Especialista em segurança dos alimentos explica como escolher melhor hortifrúti, evitar fraudes e reduzir riscos à saúde

Publicado em 17/06/2026 às 15:00
Atualizado em

A escolha dos alimentos no supermercado pode ser mais importante para a segurança alimentar do que muita gente imagina. Segundo a especialista em segurança dos alimentos Paula Eloize, hábitos simples durante a compra ajudam a reduzir riscos relacionados a resíduos de agrotóxicos, contaminações e até fraudes em produtos consumidos diariamente.

Embora a higienização correta continue sendo fundamental, a especialista destaca que a proteção da saúde começa antes mesmo de os alimentos chegarem à cozinha.

"Nós aprendemos a cuidar da comida depois que ela chega em casa. Lavamos, cozinhamos, guardamos na temperatura certa. Tudo isso importa, mas é a segunda metade do jogo. A primeira metade, a que quase ninguém disputa com atenção, acontece no supermercado", afirma.

Hortifrúti exige atenção à procedência

Frutas, legumes e verduras fazem parte de uma alimentação saudável, mas também estão entre os alimentos que mais exigem atenção quanto à procedência.


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Segundo Paula Eloize, existe um equívoco comum de acreditar que uma lavagem cuidadosa elimina completamente os resíduos de agrotóxicos.

"Existe uma crença quase universal de que lavar bem resolve o problema do agrotóxico. Isso é meia verdade. Muitos desses resíduos são sistêmicos. Isso significa que a planta absorve a substância e ela passa a circular dentro do alimento, não apenas na superfície", explica.

No entanto, de acorco com a especialista isso não deve servir de motivo para reduzir o consumo de hortifrúti.

"O risco de cortar frutas e verduras da alimentação é incomparavelmente maior do que o risco dos resíduos. Ninguém deveria deixar de consumir esses alimentos por medo", reforça. 

Como medida prática, ela recomenda diversificar os alimentos consumidos, comprar de fornecedores conhecidos e valorizar produtos com informações claras sobre origem e rastreabilidade.

Embalagens podem revelar riscos

Nos alimentos processados, a atenção deve se voltar principalmente para a integridade das embalagens.

Conservas, enlatados, laticínios e outros produtos industrializados devem ser observados antes da compra, especialmente quanto a sinais de estufamento, amassados, vazamentos ou alterações visíveis.

"Antes de colocar uma conserva ou um enlatado no carrinho, o consumidor deveria fazer três perguntas: a embalagem está íntegra? A validade está adequada? O produto parece normal?", orienta.

Segundo a especialista, algumas contaminações não alteram cheiro, cor ou sabor do alimento, tornando os sinais externos uma importante ferramenta de prevenção.

Azeite e café estão entre os produtos mais visados por fraudes

Produtos de maior valor agregado ou de grande consumo costumam ser alvo frequente de adulterações.

Entre os exemplos mais conhecidos estão azeites e cafés, que podem sofrer alterações na composição ou receber ingredientes não declarados ao consumidor.

Para Paula Eloize, o preço muito abaixo do mercado costuma ser um dos primeiros sinais de alerta.

"Quando algo é bom demais para ser verdade, geralmente não é verdade. Um azeite extra virgem de qualidade possui custos de produção que não permitem determinadas promoções", explica. 

Ela recomenda ainda a leitura cuidadosa dos rótulos e a preferência por marcas que forneçam informações claras sobre origem, composição e fabricação.

Informação também ajuda a proteger

Além da atenção durante a compra, a especialista orienta que consumidores acompanhem comunicados e alertas divulgados pelos órgãos de fiscalização sanitária.

Quando lotes são suspensos ou produtos apresentam problemas identificados pelas autoridades, as informações costumam ser disponibilizadas publicamente. "Acompanhar esses comunicados deixou de ser algo apenas para técnicos. Informação também é uma forma de proteção", diz a especialista. 

Cinco hábitos para compras mais seguras

Segundo Paula Eloize, algumas atitudes simples podem ajudar o consumidor no dia a dia:

  • Verificar a procedência dos alimentos;
  • Variar frutas, verduras e fornecedores;
  • Conferir prazo de validade;
  • Observar a integridade das embalagens;
  • Acompanhar alertas e comunicados dos órgãos oficiais.

"Eu não quero que ninguém saia do supermercado com medo da própria comida. O que protege é consciência. Olhar a embalagem, conferir a validade, conhecer a origem, variar as escolhas e acompanhar os alertas oficiais são atitudes simples que fazem diferença", conclui.

Fonte: Portal da Cidade Bady Bassitt

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