No início dos anos 2000, ter um telefone em casa ainda era novidade para muita gente em Bady Bassitt. E quem viveu essa época provavelmente se lembra de um detalhe marcante: a caixinha com antena instalada dentro de casa, ligada por um fio ao aparelho telefônico.
Era por meio dela que o sinal chegava.
O equipamento fazia parte do sistema WLL (Wireless Local Loop), tecnologia usada na implantação de 1.200 linhas telefônicas na cidade, no fim de 2000 – um avanço aguardado há anos pela população.
Mas a empolgação durou pouco.
As edições do jornal Espaço, do jornalista Nelsinho Bertoni, falecido em 2018, mostram bem esse contraste: a expectativa com a chegada dos telefones e, poucos meses depois, a frustração com a qualidade do serviço.
O material está sendo digitalizado desde 2025 pela estudante de jornalismo Kaillayne Ferreira, sob supervisão do jornalista Eduardo Fálico, diretor do Portal da Cidade Bady Bassitt, a partir de exemplares preservados pelo secretário de Cultura, Ronaldo Celeguini.
Promessa de avanço
Em outubro de 2000, a instalação das novas linhas foi apresentada como solução para uma demanda antiga da cidade. O sistema WLL era visto como uma alternativa rápida para levar telefonia a municípios menores.
Na prática, significava que mais moradores finalmente teriam acesso a um serviço essencial no dia a dia.
Realidade bem diferente
Mas bastou o uso começar para surgirem os problemas.
Em março de 2001, o jornal voltou ao assunto com relatos de ruídos, eco e falhas constantes nas ligações.
“A qualidade desse telefone está péssima. [...] a voz parece um disco fora de rotação”, relatou uma moradora ao jornal.
Outro usuário resumiu: “Eu falo melhor quando ligo para São Paulo do que com o meu vizinho”.
Sem internet
Além da qualidade ruim, havia outra limitação importante: o sistema não permitia usar internet nem fax.
Para comerciantes, isso impactava diretamente o trabalho. Um empresário ouvido na época relatou dificuldade para buscar informações e atender clientes sem esses recursos, que já começavam a ganhar espaço.
E hoje?
De lá pra cá, tudo mudou. O telefone fixo perdeu espaço, o celular se popularizou e a internet virou parte essencial da rotina.
Mas a lembrança da caixinha com antena ainda está viva na memória de quem acompanhou esse momento – quando o telefone finalmente chegou a Bady, mas ainda estava longe de funcionar como se esperava.