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CASO THALLITA

Namorado de médica de Bady Bassitt assassinada é condenado a 31 anos de prisão

Davi Izaque Martins Silva foi julgado e sentenciado por matar a jovem, encontrada esquartejada dentro de uma mala; crime repercutiu nacionalmente

Publicado em 23/04/2025 às 08:51
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Davi Izaque foi condenado pela morte de Thallita (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

O julgamento de Davi Izaque Martins Silva, de 29 anos, acusado de matar a médica Thallita da Cruz Fernandes, foi realizado nesta terça-feira (22) no Fórum de São José do Rio Preto. Após seis horas de júri popular, ele foi condenado a 31 anos e seis meses de prisão em regime fechado, por homicídio quadruplicado e tentativa de ocultação de cadáver.

Antes do julgamento começar, familiares e amigos de Thallita realizaram um protesto em frente ao fórum, segurando cartazes com pedidos de justiça e homenagens à jovem médica. Em seguida, diversas pessoas acompanharam o julgamento de dentro do plenário, informou o portal G1.

“Naquele dia eu não pude fazer nada por ela. Então, hoje a gente está fazendo por ela, mas não só por ela, por outras meninas, principalmente meninas dessa idade. Eu acho importante por isso. Às vezes a pessoa tá por alguma coisa assim [violência] e está quieta, achando que ninguém vai apoiar. E ela já lutava por isso nas redes sociais dela”, declarou a mãe da vítima, Juliana Aparecida da Cruz, à TV TEM. 

A decisão foi proferida pela juíza Gláucia Véspoli dos Santos, da 5ª Vara Criminal e marca o desfecho de um dos crimes mais brutais e comentados da região nos últimos anos. A decisão do júri popular veio após um longo processo iniciado em 2023, quando o corpo da médica foi encontrado esquartejado e escondido dentro de uma mala no apartamento onde morava, em Rio Preto.

Cabe recurso da sentença.

O crime: relembre o caso

Conforme mostrou o Portal da Cidade, a mãe de Thallita - que vive em Guaratinguetá (SP) - desconfiou da forma como ela respondia mensagens de textos e entrou em contato com amigos da filha. Em 18 de agosto de 2023, uma amiga acionou a polícia, que encontrou o corpo no apartamento da vítima, no bairro Redentora.

No dia seguinte, Davi Izaque, então com 26 anos, foi preso no bairro Vila Elmaz por equipes do Baep. Câmeras de segurança o flagraram saindo do local horas antes da descoberta do crime. Levado à Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), ele alegou, inicialmente, um lapso de memória, mas depois assumiu informalmente o assassinato, segundo o delegado Alceu Lima de Oliveira Júnior.

Ainda de acordo com a investigação, Davi teria cometido o crime após uma discussão por questões financeiras e ciúmes, agravadas pelo uso de cocaína e ecstasy. A motivação seria a intenção de Thallita de romper o relacionamento.

Ela estaria dormindo quando foi atacada com uma faca. O acusado ainda teria tentado retirar o corpo do apartamento em uma mala, mas não conseguiu.

Repercussão e homenagens

A trágica morte da médica gerou repercussão nacional. Em Rio Preto e Bady Bassitt, colegas, pacientes, amigos e instituições lamentaram a perda.

A Prefeitura de Bady Bassitt destacou o impacto profissional da médica: "Respeitada por todos e admirada pelo profissionalismo, amizade, integridade e pela maestria ao cuidar da população".

A Famerp e o Complexo Funfarme também divulgaram notas de pesar.

Em São Paulo, moradores da Mooca, onde o pai da jovem mantém uma banca de jornais, organizaram uma homenagem com flores.

Familiares expressaram dor e orgulho pelas redes sociais. Um primo escreveu: "Nada trará Thallita de volta. Que lutemos por uma sociedade mais protetora, que trate denúncias de violência com urgência".

Perfil de Thallita: médica, filha e ativista

Nascida em Guaratinguetá (SP), Thallita se mudou para a região em 2016 para cursar medicina na Famerp (Faculdade de Medicina de Rio Preto), onde se formou em 2021. Trabalhava como plantonista em Bady Bassitt e era muito querida por colegas e pacientes.

Em suas redes sociais, compartilhava a paixão pela profissão, a saudade da família e posicionamentos firmes contra o machismo. Em 2017, escreveu no Dia Internacional da Mulher: "Não adianta dar parabéns em 8 de março e ser machista o resto do ano. Repense suas atitudes".

Durante a pandemia, defendia o distanciamento social, o uso de máscaras e o apoio a pequenos empreendedores - como os chocolates da avó, que divulgava com carinho. Era próxima da família e sempre prestava homenagens à mãe, ao pai e aos avós.

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